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Wednesday, September 16, 2015

Sr. Edmundo

O Sr. Edmundo tinha uma boneca. Daquelas de trapo com uma cabeça de porcelana. Era já um homem velho mas sempre que era avistado estava bem acompanhado da dita. Já todos se tinham habituado ao espectáculo pacato que os dois representavam. As crianças fizeram-se gente e desta gente nova brotaram outras crianças. A vila habituou-se ao Sr. Edmundo e agora quando lhe perguntavam pela saúde não se esqueciam de perguntar também pela da boneca. 

Apaixonou-se pela pequena quando ainda era rapaz novo, já naquela altura se comportava como um verdadeiro cavalheiro, e nunca deixou de olhar para aquela representação de gente com o mais nobre dos intentos. A irmã do Sr. Edmundo, uma perfeita tirana, deixava o inanimado ser em tudo quanto era sítio, até mesmo nas escadas, onde ocasionalmente a pobre coitada era pisada pela Mãe e arremessada para longe. O Sr. Edmundo, como qualquer outro homem enamorado, sofria com o tratamento destinado à boneca, até que um dia, coberto de vergonha mas cheio de coragem foi reclamá-la como sua ao quarto da irmã. Já foi tarde e não pôde salvar a pequena de um corte de cabelo que muito a desfigurou. Resgatou a boneca dos braços tiranos e infantis que a agarravam e tratou aquele infortúnio como se nada fosse pois o Sr. Edmundo não era "um daqueles sujeitos que só ligam às aparências".

Os homens da vila quando se zangavam com as suas mulheres e iam todos esbaforidos para o café comentavam alto entre eles que quem está bem “é o Sr. Edmundo, que tem uma boneca para companheira” e a isto o Sr. Edmundo sorria o seu sorriso calmo e segredava baixinho, numa voz que só a sua companheira ouvia, o quanto às vezes lhe custava que a cara de porcelana dela fosse tão fria.

Saturday, February 22, 2014

Monday, January 13, 2014

E agora afina a garganta meu cantor



Dorme meu menino
Dorme qu'inda a noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer

Tuesday, November 27, 2012

Tuesday, March 20, 2012

Mais uma noite daquelas


Hoje senti urgência em escrever. Vou tentar apressar-me antes que ela desapareça. Escrever já não me acalma como devia, mas aqui vai:

- Queres ir beber um copo? - Pergunto eu enquanto escovo o cabelo em frente ao espelho.

Enfadado e meio ébrio, ele returque irritado.

- Já viste como é que eu estou? Queres dar cabo de mim?
- Sim. É esse o meu objectivo. Veste as calças e vamos. Gosto de te ver a conduzir bêbado.

E ele ri-se, com aquele sorriso trocista que tanto o caracteriza. Nunca falha em me acelerar o coração. Maldito.

- Como queiras. E ainda não estou exactamente bêbado.
- Eu sei que não.

Mas conduz como um louco, o que vale é que a distância a percorrer é curta. Escolho propositadamente a mesa mais longe do bar e quando ele chega ao fim do primeiro copo de whisky peço logo para que lhe tragam um segundo. Começa finalmente a falar enquanto enrola o primeiro dos últimos cigarros da noite, tem cismado com Sartre e eu gosto de o ouvir. Diz-me que gostou especialmente d”A Nausea” e debaixo daquelas luzes amareladas eu gosto especialmente dele. Mas nunca li Sartre, nem quero ler, senão ele não teria tanto para dizer nem eu tanto para ouvir. Rejuvenesce quando fala do que gosta e a ternura que isso me suscita é demasiado forte para ser contida por isso toco-lhe no joelho. Vou-me sentindo mais segura à medida que a noite avança. A timidez vai sendo disfarçada e escondida e aos poucos vamos ficando mais próximos um do outro. 

E assim ele vai-me parecendo menos um gigante e mais apenas um homem. Levo-o para casa, deito-o na cama e ele abraça-se a mim. Só quando está bêbado é que me abraça com força.

- Sabes, é difícil fazer-te feliz. Mas eu estou a tentar, tu sabes que estou a tentar não sabes? E estou disposto a continuar a tentar.

Então deixo-o adormecer, sem me conseguir mexer debaixo do peso dos braços e pernas dele. Lá acabo por o conseguir beijar enquanto me rio silenciosamente daquela expressão de inocente perdido que ele exibe sempre que adormece.

Monday, March 12, 2012

2046

Acabei de ver o 2046. Não acho que tenha conseguido superar o In the Mood for Love mas é uma digna sequela (?) do mesmo.

Sensual, hipnótico, melodioso (excelente banda sonora) e visualmente incrível.




Love is all a matter of timing.
It's no good meeting the right person too soon or too late.

Thursday, June 2, 2011

One more time

Cada vez digo menos palavrões.

Só para matar saudades: Foda-se!

Saturday, April 30, 2011

Odeio as pessoas que falam em voz alta no cinema

Se eu possuísse o Mjölnir do Thor provavelmente partia os dentes todos a essa escumalha. Especialmente àquele tipinho que estava sentado na mesma fila que eu durante Limitless. Além da contínua necessidade de constatar em voz alta o óbvio (é que poderia haver alguém na sala que tivesse sei lá, um QI de apenas um dígito e precisasse de recorrer ao seu ruidoso auxílio para conseguir entender o que se passava no grande ecrã) ainda se vangloriava da sua incontestável inteligência de cada vez que as suas astutas predições se tornavam realidade. Sem dúvida que isso impressionou devastadoramente a sua jovem namorada (acho que preferia cavar a horta com uma colher do que andar com um homem assim. Suspeito que em apenas dois dias estava a tentar faze-lo beber lixívia depois de lhe espetar um garfo no olho).

Portanto, Sr. Dos Óculos Com Ar Deslavado, uma vez que esteve presente na mesma sala, sessão e fila que eu a ver um filme chamado Limitless, cujo personagem principal tomava um comprimido para ficar super-inteligente, vejo-me forçada a informá-lo de que, para atingir um nível de inteligência razoável, o senhor teria de tomar a embalagem inteira.

Dito isto, aqui fica o trailer de Limitless

Tuesday, December 21, 2010

Monsters

Seis anos depois da Terra ter sido invadida por extraterrestres, um (cínico) jornalista vê-se obrigado a concordar em escoltar uma (abalada) turista americana, através de uma zona infectada do México, de volta aos Estados Unidos. 


Este é um filme que merece ser visto com atenção (o meu palpite anterior estava absolutamente correcto). Os extraterrestres em Monsters, que poucas vezes aparecem mas que estão sempre presentes (nem que seja através de rastos de destruição), vão deixando gradualmente transparecer uma atmosfera etérea que acaba por rodear o filme numa aura de genuína beleza (os cenários são incríveis). As personagens não são particularmente profundas ou interessantes mas, sejamos realistas, não se pode falar de Hemingway todos os dias. O relacionamento entre estas não é apressado e segue um curso natural que acaba por dar lugar a um romance/ligação credíveis.

Monsters não é um filme de acção (com um título destes ninguém diria) e admito que não é genial do principio ao fim, mas contém certas cenas tão perfeitamente elaboradas que sei que não vou resistir a revê-lo brevemente (de preferência numa sala de cinema).

Vale também a pena mencionar que o budjet deste filme foi de apenas $15,000, sendo depois completamente editado a partir do portátil de Gareth Edwards (realizador). Quase inacreditável... (pelo menos eu achei) Monsters é, sem dúvida, uma enorme inspiração para todos os realizadores de cinema independente da actualidade.

Tuesday, November 30, 2010

Sky Doll

Por esta altura  já se deve ter tornado claro que eu adoro histórias sobre andróides.

Sky Doll é uma história de ficção cientifica passada num mundo imaginário onde e a religião impera e tenta manipular as massas (ligeiramente familiar não?). Coberta de conhecidas referências religiosas ao mesmo tempo que crítica subtilmente o facto de a mulher continuar a ser considerada por muitos como sendo apenas um objecto na sociedade actual, esta BD tem como personagem principal a voluptuosa Noa,  uma andróide inocente e curiosa que decide descobrir qual a razão da sua existência. Após ter escapado ao seu "dono", Noa juntam-se a Roy e a Jahu, dois missionários ao serviço da entidade religiosa mais poderosa (e corrupta) da galáxia. Tendo Roy como protector e Jahu como relutante companheiro, Noa acaba por descobrir que está mais ligada à guerra das religiões do que alguma vez poderia imaginar.

A arte é excelente (cheia de personalidade) e apresenta diversas influências. Por exemplo, em um dos planetas em que a acção decorre, este parece estar parado nos anos 60 em termos de estilo artístico, enquanto que outro, por sua vez apresenta um ambiente claramente futurista (sempre cheio de curvas).

Passei a noite agarrada a Sky Doll, esta BD foi definitivamente uma boa companhia para uma noite em branco.

Ah, adorei especialmente as pequenas quotes que apareciam em alguns finais de páginas. Uma delas era a seguinte: “…pure spirit is a pure lie…” – F. Nietzsche.

O Volume 1 que possuo é o publicado pela Marvel (classificado como Mature Content) que contém os três primeiros fascículos (aguarda-se um quarto #).

Story, Art and Colours: Alessandro BarbucciBarbara Canepa.
Got it inMundo Fantasma.
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