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Thursday, January 9, 2014

Os 3 Peixes

No estúdio o peixe contorcia-se. Dentro de um aquário cheio de água suja ele contorcia-se e contorcia-a à espera que a água fosse limpa. Morreu sem grandes consequências. No dia seguinte um outro peixe tomou o seu lugar e o dono nem sequer deu pela diferença entre os dois. O novo peixe herdou o nome do defunto. Este, por sua vez, morreu de fome. O dono tinha ido de férias e quando voltou suspirou e pescou o peixe com uma rede. Atirou-o para a sanita e puxou o autoclismo. A água rodou e rodou e o peixe desapareceu da vista do homem.

O terceiro peixe era louco. Este fazia-se notar, passava a vida a saltar à superfície do aquário. Não conseguia de forma alguma compreender que no ar não voava. Quando o dono deu pela sua falta, este terceiro peixe jazia morto fora do aquário. Desta vez o homem não soltou um suspiro. Sorriu o sorriso dos homens. O demente peixe parecia ter tentado imitar de uma forma abrupta e irreflectida a teoria da evolução. Lamentavelmente não deixou de morrer peixe como os outros.

Tuesday, September 28, 2010

O Cibernauta

Uma loucura de tamanho ainda indeterminado começa a tomar forma na cave do Cibernauta mas, como ele não tira os olhos da frente do computador, nem a vê. Cresceu a ver Tron e pensa que é uma questão de tempo até conseguir passar para o outro lado, para o “Ciberespaço”, porque só pode ser uma questão de tempo até ele se  misturar com o cérebro inventado e coerente de uma motherboard.

Ele fala português, inglês e klingon, ama a Mulher Maravilha e tenta ver o dia a dia, o complexo mundo exterior, como um mau filme em 3D. É inteligente e dança ao som de Kraftwerk num laboratório repleto de  CPUs, network cards e modems. Não esquece o passado e guarda com carinho as obsoletas floopy drives em várias gavetas etiquetadas com nomes de diversas experiências falhadas. As ilusões são como açúcar mental, e um corpo dissolvido cabe em qualquer lado.

O Cibernauta só precisa de um fio condutor e da fonte de energia adequada. A evolução não tem limites definidos e a massa cerebral humana actualmente ocupa apenas 2% do peso total do corpo.

Aos poucos ele vai-se dissolvendo. 2% da matéria constituinte do Cibernauta diluem-se numa solução electrolítica. Ele pensa em ficheiros zip e inclui todas as firewalls que existem actualmente na sua lista de inimigos.

O portal USB, a entrada para a Cibercidade, reconhece o Cibernauta como parte integrante da sua crescente e fiel comunidade, sem formas, sem sexos, detentores de toda a informação existente no mundo.

E, pela primeira vez na vida, ele relaxa, sente o corpo que não possui mais, descartado algures numa cave já esquecida,  a expandir-se e a saborear cada sorvo de electricidade. Aos poucos, o Cibernauta viaja através de ondas magnéticas e percepciona o dia a dia protegido num descomplexo mundo interior.

Evolução classificada como vírus.


Por: (Sleepy) Snow White

Imagem tirada daqui.

Tuesday, September 14, 2010

Eu ia chamar a este texto “mass market”

Num improvável mundo futuro
A camada de ozono deteriora-se cada vez mais, o petróleo esgotou-se completamente e os cavalos reproduzem-se em grandes quantidades. As carruagens e os andróides estão em voga. Pensa-se assim que se atingiu a perfeição pela qual o ser humano tanto anseia. Perfeição física tende a antever a verdadeira perfeição, que todos procuram mas que ninguém sabe realmente definir.
 Por entre sangue diluído, incolor ou vermelho, procura-se o azul perfeito, nem escuro nem claro. Forma-se de novo a monarquia, sangue azul volta a correr nas veias dos mais influentes, irrepreensíveis e fortes. O sangue torna-se espesso só para depois voltar a ser diluído.
De uma das gotas azuis destiladas é criado um rapaz, sem traços exteriores distintos, constituído por mais de 70% de água. Como todos os rapazes, ele procura pelo simples prazer de procurar. O quê? Não sabe. Só sabe o que já tem e sabe que pode vir a ter mais.
E sabe, acima de tudo, que a tem a ela, ou que a pode vir a ter na busca incessante de um outro ponto de vista. Movido pelo desejo de se testemunhar, de evitar olhares directos sobre ele mesmo, de se ver através de olhos que não os que lhe decoram o rosto. Tornar-se, criar, um espectador dele próprio.
Hoje, no futuro ao qual ele pertence, e protegendo-se o melhor possível do sol, o rapaz deita-a, a tão esperada ela, cuidadosamente no chão da varanda. Entusiasmado, ansioso, cansado e feliz o rapaz não arreda pé do lado da sua Andróide. Está sempre calor, está sempre sol, ela carrega baterias enquanto ele a analisa, procura traços e toma nota de possíveis falhas a reparar. Nada escapa ao julgamento dele, seja o tamanho dos olhos, da boca, do nariz, das orelhas ou o comprimento dos dedos das mãos e dos pés, .
Uma outra andróide, usada, de cabelo curto e pele escura junta-se ao rapaz debaixo do guarda-sol que o protege.
- É igual?
- Não.
- E mesmo assim queres brincar com ela?
- Sim.
- Pode ficar para mim se a decidires deitar fora?
- Porquê?
- Não sei.
- Não. 
Aborrecida com a conversa pouco estimulante, a andróide volta para junto de todas as outras andróides, descalças e deitadas no chão. São seres que não merecem o título de “seres” ao mesmo tempo que são implacavelmente accionados e movidos pela luz do sol.
Finalmente, do outro lado da varanda, a espera acaba, o rapaz sustém a respiração e sente os batimentos do seu coração a acelerarem.
A Andróide, nova, de pele branca e cabelos longos e amarelos contorce-se, abre os olhos e fecha-os de novo, procurando proteger-se do sol. Não precisa, sabe que não precisa mas não consegue evitar procurar abrigo.
Satisfeito, o rapaz acolhe-a na sua sombra. Os olhos dela cruzaram-se com os dele, um sorriso de esguelha e um olhar triunfante adornam  a cara da Andróide. E o mesmo sorriso de esguelha adorna a cara do rapaz em tom de reciprocidade.
- Vês-me?  – pergunta o rapaz à andróide.
- Vejo-me.  – responde a andróide com a voz do rapaz.
- Criei-te.
- Criei-me.
A Andróide e o Rapaz, juntos debaixo do enorme guarda sol deste, juntos como modelo original e cópia, festejam assim a suas diferenças sexuais. 
Por: Snow White 
Não consigo dormir decentemente hoje, por isso escrevi o texto em cima. 
Ah, vou deixar uma imagem que adoro. Porque será, porque será que gosto tanto dela?
James Jean - Crickets Imagem tirada daqui.

Sunday, July 18, 2010

A árvore

Vou semear o meu amor, ali mesmo no meu jardim despido de vestígios de uma ou outra sementeira passada. E assim, com o meu amor semeado vou ficar desprovida de sentimentos e ligações humanas. Depois, satisfeita comigo mesma, vou entrançar o cabelo e cantarolar uma daquelas melodias que todos nós conhecemos. Eventualmente lá vou ter de comprar utensílios de jardinagem para poder tratar bem da semente plantada e assim protegê-la do calor, do frio e das ameaças voadoras e terrestres.

E uma árvore vai crescer de todo o amor que semeei e os ramos dela vão ser tão fortes e tão cheios de folhas que cobrirão o telhado da minha simples casa. Esta árvore não vai dar frutos nem se vai ver nela o primaveril desabrochar das flores. Ela vai sim engordar como se grávida estivesse. Espessa e imponente vai prender e preservar o meu amor dentro dela. E eu, da minha varanda, vou desfazer a trança e deixar o cabelo solto enquanto pondero se preciso de uma cadeira de madeira nova ou de lenha para alimentar a fogueira nas noites frias de Inverno.




Texto por: Snow White

A imagem é: The Prince in the Tree de Cory Godbey



Saturday, July 10, 2010

The sheep's tale - Part 2

The blood color sheep was also known as the Devil sheep.

When the Devil sheep spots the green one, she soon tries to engage in a conversation with that interesting specimen.

- Hello,

- Hello

- Do you know you look like food?

- Do you know you are a monobrow being?

- Do not call me monobrow! I’m a devil!

- Right. Of course you are.


And the green and red sheep fought. It was an epic battle, that no one witnessed.

The monobrow sheep, sorry, red sheep, got her ass kicked, obviously, since the green sheep was used to fight everyday to save her fleece.


Impressed by the green sheep’s strength, the red sheep made a lifetime’s preposition to her new “friend”.


- We should scram, you know, get away from this dump.

- And go were?

- Who cares? The sky is the limit! We could buy a bike, join a gang and feel the wind in our fleece as we ride till sunset.

- We are sheep.

- Don’t underestimate yourself!


(To be continued...)


Story by: Snow White

Worst art ever also by: Snow White

Monday, July 5, 2010

Narciso


Narciso é bom rapaz, só que sempre que sai à a rua caminha a olhar para o chão, como se as pedras da calçada guardassem segredos que só ele consegue ver. Anda assim Narciso à solta no mundo, taciturno e entretido com ele mesmo. Tem de se embebedar para soltar duas ou três palavras dirigidas à Laura, de quem ele tanto quer gostar, e quando finalmente chega a casa, tem ainda o habitual encontro com o espelho, espera-o a interminável disputa sagrada de todas as noites. “Já te disse que estás bonito e que só tenho olhos para ti”, diz o Narciso do espelho, mas não há meio destas palavras doces acalmarem o narciso em frente ao espelho, que se deita todas as noites descontente a olhar para o tecto.

Vai Narciso à festa da aldeia, agarrado ao seu cigarrinho e a ajeitar, com a mão livre, as calças que lhe caem. Nem reparou que emagreceu de tão interessado que está em fazer passar a mensagem sobre o segredo dos seus ombros encolhidos. Há que fazer os outros entender a extensão da beleza do seu mundo mental. No meio de conversas, de danças e gritarias ele lá se embebeda outra vez, arranca um ou outro sorriso à Laura e chama a minha atenção. Popular este Narciso não? E pensa ele que é só popular com ele mesmo, não, minto, pensa ele que é só popular com o Narciso do espelho.

Apanho-o sozinho, já quando a noite quase se transformou em manhã, desta vez entretido a decifrar que segredos as tábuas da mesa de madeira, à qual ele se sentou, escondem. As saudades que tu deves sentir do Narciso do espelho…

Olha que tu, Narciso de fora do espelho, tão preso estás em ti mesmo que nem vês que os primeiros raios de sol do dia estão a iluminar-te de uma maneira especial. Uma pequena luz foi reservada apenas para ti e tu nem a enxergas.

Vou-me sentar na mesma mesa em que tu te encontras e falar de mim até levantares essa tua cabeça, descontraíres esses ombros, parares de pensar nos teus próprios pensamentos e veres um pouco mais da beleza do mundo fora da tua mente. E depois vou só limitar-me a esperar que, um dia destes, movido pela fúria ou pelo desassossego, te decidas a partir o Narciso do espelho.


Texto por: Snow White

A imagem é: Narciso (1594-1596), por Caravaggio.

Wednesday, June 30, 2010

Principie solitário


Tenho pensado no Principie solitário, aquele que vive numa fortaleza especial, rodeada por um encarceramento de vidro. Há quem diga que ele se alimenta de amor celeste, do pó das estrelas e da beleza do mundo. Diz-me, meu Príncipe solitário, que beleza vês tu neste mundo? Diz-me porque eu quero saber. Vou ser o monstro que te vira de pernas para o ar e abana essa bola de vidro dentro da qual tu vives. Neve vai cair, faça sol ou faça chuva lá fora. Neve vai sempre cair dentro dessa tua fortaleza de vidro.


Texto por: Snow White


Ah, nem deu para resistir, abro o Google para pesquisar qual o significado de uma palavra estranha em alemão e lá está ele, pendurado numa das letras, “O principezinho”.

Por mais livros que se leia, este é daqueles que nunca se esquecem.


Antoine de Saint-Exupéry foi um escritor, ilustrador e piloto da Segunda Guerra Mundial.

“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós." - Antoine de Saint-Exupéry



E é mesmo assim não é?

Monday, June 28, 2010

O mundo está podre


O mundo está podre e eu não quero ter nada a ver com ele.

São os invejosos, os vaidosos e os cegos com olhos sãos,

Todos metidos e amassados dentro da mesma bacia.

Todos eles cantam a mesma canção,

E todos levantam a voz na hora do refrão

Impiedoso este, revela descaradamente,

Toda a mundana nefasta putrefacção.

E como o mundo está podre, eu vou caminhar

Todos os dias com galochas até aos joelhos

E de gabardine vermelha,

Porque eu, vejo com olhos de ver,

Digo palavras que fazem doer

E não me afundo na imundice que o mundo a apodrecer faz.

E se me recuso às vezes em dizer,

Que me metes nojo,

E me limito a um “Deixa-me em paz”,

Não sigas a mesma rua que eu,

Nem me sigas a mim,

Porque para onde eu vou,

A entrada não te é permitida.



Texto por: Snow white

(Não sei o que foi isto, mas desde que escreva...)


(A imagem é uma pintura de Amadeu de Sousa Cardoso)

Friday, June 25, 2010

Joana, mulher de antigamente.


Joana vivia sem cão nem gato, sem telemóvel e sem telefone, sem televisão ou rádio, sem livros ou revistas. Joana vivia numa casa no alto de um monte. Os aldeãos passavam à beira da residência de Joana e sempre murmuravam entre eles que a moradora era "sossegada mas que em nova tinha sido uma mulher airosa”. Recatada e solitária, Joana facilmente se perdia em memórias, que iam e vinham tão depressa como a noite e o dia. Mulher de antigamente, não teve mais do que um homem, homem este que não lhe deu filhos, homem este que teve mais do que uma, ou duas, ou três mulheres.

E ela perde-se à janela, todos os dias sem falta, com os longos cabelos brancos a acarinharem-lhe o rosto cheio de rugas. Nem um vestígio ali resta de uma antiga menina que corria descalça pelas bermas do rio. Ah Joana, quem és tu hoje aí nessa janela com os vidros partidos a olhar para os montes? Vais apanhar um resfriado que o frio não perdoa.

São as memórias que, melhores do que filmes e mais impressionantes do que os relatos de guerras alheias, vão e vem. Hoje umas sobre os pais, já criaturas de uma outra era, ocupava-lhe a mente, amanhã de certeza que iria lembrar-se da vizinha que morreu quando Joana ainda era uma mulher nova. As pessoas que lhe passaram pela vida desfilam uma a uma pelos desfiladeiros mentais, já perigosos e inseguros devido à idade avançada de Joana. Todos os dias era a vez de uma recordação diferente, às vezes já turva, mas com a intensidade correspondente à tenacidade de uma mulher de antigamente.

E Joana recorda, vezes e vezes sem conta, uma vida passada, não acrescenta ponto nem tira ponto, só recorda, sozinha e sem visitas, sentada na cadeira companheira da sua velhice.

Mesmo quando suspira pela última vez, aquele ansiado último suspiro, as recordações não se perdem, levadas pelo vento que sopra através de uma janela partida. E Joana olha lá para fora, sem saber que já não é mais “Joana, a mulher cega da casa do cimo do monte”.

Texto por: Snow White

Thursday, June 24, 2010

Até nunca mais.


Ando cansada, não faço nada de nada e, mesmo assim, continuo cansada. Enigmático, este meu cansaço constante.

Vou dar uma volta, depois de libertar o “até nunca mais” preso na garganta, ou no emaranhado de neurónios avariados dentro da minha máquina cerebral. Não sei, ao certo, qual a prisão habitual dessas três palavrinhas. Também não estou interessada em decifrar mistérios, pelo menos não agora, depois de ter batido a porta de casa e saído para a rua.

Preciso de ver jardins, mas nunca se vê o que se quer nos momentos certos. Não quando este cansaço insiste em me abraçar desta maneira sufocante. Agora, por enquanto, momentos certos não existem.

Casualmente páro de caminhar, durante esta viagem do “até nunca mais”, e perco-me a observar uma das montras situadas na berma da estrada. É a montra do Romance com o seu item mais procurado, “o homem ou mulher da Tua vida”, em destaque, colado ao vidro a espelhar. Que ridículo, quando já se é velho, e se tem o mínimo de experiencia, sabe-se que já muita água correu debaixo da ponte desde aquele primeiro “homem ou mulher da tua vida”. Se calhar é por isso que esta montra está situada ao lado das outras duas mais conhecidas: A montra do Ódio e a da Vingança.

Entro na lojinha, dirigida por uma velhota excessivamente maquilhada e com um cheiro intenso a perfume francês. Apetece-me tapar o nariz, vou ficar mal disposta com o cheiro a unto e flores. Ela mal me fala, pela minha expressão já sabe que venho devolver alguma coisa.

- Ó menina, aqui não há reembolsos, mesmo que me entregue o que daqui levou, não espere que lhe devolva o que pagou pelo quer que seja.

Ai a voz aguda. Até os meus ouvidos agora sofrem. Mas pronto, resignada, lá tiro a caixinha de memórias boas e más, de mais um romance falhado, da minha mala invisível, e fujo dali para fora o mais depressa que posso. A caixa lá ficou, e vai-se perder, mais dia menos dia, no meio de todas as outras.

Volto para casa, com um bocado do cheiro bafiento de romance estragado ainda entranhado na pele e espero, mais uma vez, por um outro “até nunca mais”. Continuo é cansada, tão cansada como quando saí para dar uma volta. Aquele tipo de cansaço de quem tem sono mas que teima em não se deixar dormir com medo de perder alguma coisa.


Texto por: Snow White

(A imagem é uma pintura de Chris Shields)

Sunday, June 20, 2010

Intergalactic rebels Part 2 (not really)


Note: And this is me, making fun of my own texts and having a blast while at it. Hope you'll enjoy it at least a little bit. A smile and a bow for those that bear this text till the end. My (very personal) parody.


(Please read "Intergalactic Rebels" before reading this "sequel" or nothing will make sense for you.)


So there I was, in that freezing cold weather, with no coat, only in my night t-shirt and barefooted. What a great idea, the one I had just five minutes ago, to come outside for a smoke, and forget the damn fucking keys inside the house. Just perfect, couldn’t love living alone more than at this precise moment. As if. Dammit, not even my imagination was helping me to bare this cold night weather. And, to worsen the situation, of course there was no one walking on the streets. I might as well be living in the woods right now, that the outcome would be the same. Where is a robber when you fucking need one? Or a rapist? No, forget the rapist idea, that wouldn’t be good. “Ok, stop thinking about being raped now”. The night turned creepy with all its shadows, and I would have to accept the situation I got myself into, and manage to just stay quiet till morning. And then, when the sun starts to shine, and the nearest café owners cross the street to open for business, I’ll borrow their phone to call my mom and see if she can bring me my spare set of keys. Fast.

But then, when I was starting to calm down “that” happened. A huge spaceship landed right in front of me. Oh…my…god. The spaceship from my imagination was there, here, in my world, right in front of me. In front of my naked eyes. This can’t be, damn you writers that say that imaginary things can’t come to life. I’ll shove this spacecraft up your asses and hear you say “ohh ohh it isn’t real”. That sounded like you were enjoying it, it’s not suppose to be enjoyable. I’m so screwed now, I’m a tough ass chick when the world I’m living in is all in my head, but outside, outside I’m just a short haired woman, skinny and small. She’s going to crush me. Oh yes she will, I could see the preview of the next minutes playing in my mind. “Ok, act tough, all rests in acting as you act in your imagination”.

- You fucking Whore! – She screamed, while she jumped from the spaceship to the ground.

I froze. Yeah I fucking froze, she was tall, with long hair that almost reached her waistline, and with an attitude as fierce as a wild cat's. Her eyes were menacing.

- You can’t be here. – I must say I didn’t sound very convincing while speaking, with my voice shaking a bit and with goose bumps all over my body. But, as a side note, the cold weather was partially responsible for that last part too.

- You bitch, unprogram him! Now! Or I’ll blast your brain! – And she pointed the very real gun, that came from my imagination, right at me.

- What? “Unprogram”? What the fuck do you mean with that? It’s not like I can actually do that, technically I never even touched him. That’s not even a word. – People sometimes aren’t very coherent when they are scared, so pardon my English will you?

And, it was then, that I finally saw him. He came from my imagination but he was different from how I imagined him. Was that even possible? His hair was darker, almost black, and his eyes were also black, or a very dark green, and he seemed more fierce than the sad human creation that was once only living in my mind. To sum up the description, he was hot, trust me, smoking hot. Tall as a tree and with a body that seemed hard as one. He looked at me with an angry stare, and I felt my knees shaking a bit. Bloody hell, what was I thinking when I discarded him in my mind?

But then, I came to my senses and there I was, with no keys to enter my house and being kidnapped by my imaginary beings.

- Take us inside. Now. - She ordered me in a cool tone of voice now.

- I can’t, even if I wanted I wouldn’t be able, I left my keys insi…

“BAM”, and the man, I’ll call him a man now and no more a discarded creation, had just knocked down my entrance door. The nice and pretty blue door of my house was ruined. He had more manners when he belonged to me. Oh God, have some mercy on my being... I liked it, his attitude, so rude and sort of sexy. He wasn’t very amused though.

Well, at least my problem was half solved, I only needed to call someone to fix my door in the morning. That is, if I was still alive in the morning. But now, inside my comfortable house and sited on my black couch, with the light of my computer gleaming on top of the table right next to me, I felt much better.

- What is this? – She asked me while pointing at my computer. – Can this unprogram him?

- I told you, I can’t do that. This is just a computer, I write my stories in there, I wrote about you both in there, there’s nothing I can do for him.

And then she fell to her knees, it was a pitiful sight. It made me feel superior right away.

- Then I can’t do anything for him too, he doesn’t respond to me, he’s mechanic, he follows your orders, he says “I love you” with his mechanic voice and I feel like I’m going crazy. I’ll turn insane soon if he doesn’t stop acting like that. I’m not a little girl anymore, I need a man, lust, love, pleasure and some kind of desire. This shit can’t be one sided. I can’t take it anymore.

It was all very dramatic, and for a second there, I feared that the brains she would probably blast that night, it would be her own.

Then, I got up from the couch, and patted her in the back. To my surprise she didn’t move. Then I had an idea, not brilliant, but they came from my mind right? So anything could work.

- My darling, I think that you just need a pet, and trust me, in this world you can have any man you want as a pet. – It was true, she was insanely beautiful.

- I want him. Unprogram Arkin for me.

“Arkin”, so that was the name of the man standing there, at the entrance of the door, looking at both of us with a cold gaze. He was a “thing”, passed on from hand to hand. That last thought made my heart feel a sharp pain for a second or two.

- Oh jeez, will you stop that, I can’t unprogram him or whatever you want me to do, can’t you understand that by now? Plus, I really need to pee. Desperately. Can I go alone or will you have to escort me to the bathroom?

- Just go. – she seemed disgusted by my words.

While in the bathroom, I took my sweet time, and, before I left, I even brushed my hair and my teeth.

At the living room, were the three of us were staying before, only Arkin remained. And he spoke, for the first time.

- She left me to you.

- Oh, she did?

I could imagine her pulling herself together and standing up. And I could see her in my mind saying a brief goodbye to him and getting out of my house without looking back. I must admit that I’m quite found of her, she’s truly tough. Outside my door, or, what’s left of it, the spaceship made little sound while flying away.

- What do you want me to do? – He said, in a very defiant tone.

“What the fuck? You are my creation, don’t talk to me like that”, I thought. He didn’t seem mechanic at all, just revolted and probably hurt. He lived in my imaginary memories, no big deal for me, but his whole life were those imaginary things. In the end, it really was a bit sad. But, honestly, who cares? I’m the writer, not the hero, so:

- Just strip your clothes off.

He blushed, I thought that was a very cute reaction.

And to think that I started this adventure by being afraid of some douchebag raping me while the morning didn’t arrive…

But don’t worry, and don’t pity him, Arkin enjoyed as much as I did what came after those last words of mine.



(This is NOT a real continuation, there is no continuation for Intergalactic rebels, this was just me, relieving stress.)


Story by: Snow White

(Image: Luis Royo)

Saturday, June 19, 2010

Vou


Vou escrever sobre coisas felizes, sobre pores do sol, luas cheias e lábios vermelhos. Vou escrever sobre ti, sobre como te vejo, sobre a areia e sobre a corrida que foi para podermos ver os últimos raios de sol do dia. Vou escrever sobre isso tudo. Do caminho, não da chegada, porque a claridade não esperou. Vou sonhar só com coisas boas e vou andar de mãos dadas com os seres invisíveis que vivem na minha cabeça. Vou fazer uma lista de coisas que vou fazer.

Vou beijar um rapaz inocente, vou atirar pedrinhas para o rio e viver como se este fosse o meu último dia. Não vou voltar para a minha casa, nem para a tua, nem para a casa de ninguém, vou ficar aqui, a olhar para o dia de hoje registado na minha mente, e vou-me rir sozinha deitada no chão de um lugar desconhecido. Vou criar raízes e tornar-me numa árvore, vou ser o abrigo de pássaros e vou ser a sombra dos humanos que se sentam a meus pés. Vou crescer até tocar na estratosfera. Vou perder-me nos meus “vous”, e olhar de novo para o rapaz inocente que dorme ao lado das minhas raízes teimosas, as que não se deixam enterrar. Vou providenciar-lhe a sombra que preserva os sonos eternos, não quero que ninguém o venha acordar.


Texto por: Snow White

(A imagém é uma pintura de Eugénia Tabosa, Libélula)

Thursday, June 17, 2010

Estações


Quando durmo, durmo como se tivesse morrido, e quando acordo, prefiro sempre ter continuado a dormir. O estado de espírito vai mudando com a mudança das estações, estas que mudam diariamente. As estações humanas, as quatro cores da alma, os quatro motores condutores do corpo. A minha Primavera está sem sol, o meu Verão congelou, o meu Outono vai perdendo cores e o meu Inverno é constante. Gélido e seguro, olha lá para fora, erecto numa varanda de insensibilidade, para a neve que cai no reino que é meu corpo.

Os dias são curtos, e as noites, as noites duram para sempre, porque, enquanto duram, parecem ser incessantemente eternas. Uma eterna e imperturbável solidão, que me permite pensar em palavras lidas em livros sem páginas.

Desço as escadas, numa lentidão metódica e calma, o Inverno não é apressado e a noite nunca acaba. Debato-me, desanimada, com o problema que é o esgotamento das minhas folhas mentais, que vão, a pouco e pouco, perturbadoramente, deixando de ter mais páginas, e eu, vou assim, deixando então de ter lugar onde escrever. Anseio por uma primavera com sol, com árvores cheias de folhas verdes e com risos humanos.

Caminho, descalça na neve, pensando em encontros que não se vão dar com pessoas que não existem, por isso, para compensar a solidão, cumprimento a neve num tom de voz de Verão. E ela, em jeito de resposta, vai-se derretendo enquanto eu continuo a andar. Os riachos do meu reino voltam assim a ser riachos e o vento desiste de fustigar o meu rosto. A geada cristaliza e, por solidariedade com as outras três estações, tenta adornar os ramos das árvores nuas, criando folhas de Primavera transparentes.

E hoje, agora, quando me vejo a aproximar do precipício do meu reino e volto as costas para o abismo, olho à minha volta. As nuvens não estão negras, o sol espreita por entre elas, os cumes das montanhas estão brancos, os riachos tornaram-se rios, as árvores raquíticas e estaladas do frio estão cheias de folhas cristalinas, e o chão, o chão que piso, é verde.

Finalmente, todas as estacões são agora uma só. Envolta numa intensa sensação de paz interior, e sem pensar mais, deixo-me cair no abismo com o rosto voltado para o céu.



Texto por: Snow White

(Imagem de: João Ruas)

Monday, June 14, 2010

Vermelho


No teu castelo, isolado do mundo, onde só tu habitas, a força da tempestade na escuridão cerrada da noite embate nos vidros das enormes janelas da varanda da tua torre. Uma cadeira, chamas de um fogo que já se começa a extinguir, um copo de vinho na tua mão e um quadro, do qual não tiras os olhos, completam o teu pequeno mundo.

Tens um encontro marcado, com alguém que não assume a sua própria existência. Um esgar nos teus lábios, uma tentativa de sorrir, sentes a tua excitação a crescer à medida que a noite avança com a sua usual insuportável lentidão. Mordes os lábios, o nervosismo à flor da pele faz-te encher de novo o teu copo com vinho. Fechas os olhos, a tempestade amaina, começas a vociferar contigo mesmo, sabes que Ela prefere temporais e chuva.

Tiras a gravata e desapertas um dos botões da tua camisa. O teu cabelo acaricia o teu pescoço e perguntas-te se não A aguardas em vão, a espera é sempre penosa demais, os sentimentos sofreram alterações dentro de ti, mas sorris, sentas-te na tua cadeira e continuas a beber o teu vinho. Não te deixes dormir, não guardarás memórias se te deixares dormir. Os teus olhos mantêm-se teimosamente abertos e fixos no quadro à tua frente.

Uma pintura de uma mulher. Que mais te prenderia tanto o olhar? Vestido vermelho, flores vermelhas, lábios excessivamente vermelhos, uma expressão séria no meio de tanto escarlate destoava com o resto do cenário. Quadro feito por um mau pintor. Os teus gostos nunca roçam a vulgaridade, mas este prendia-te mais a atenção que qualquer outra obra de arte aclamada. O desejo impossível de a fazeres sorrir levava-te todos os dias à mesma hora a subir os degraus até ao cimo daquela torre. Depois, de manhã, tudo não parece passar de um sonho e a meio da tarde a palavra “impossível” encerra o assunto. Mas, mal os primeiros raios de luz começam a desaparecer, já o teu coração ameaça explodir de ansiedade.

Mas hoje fitaste-a com uma expressão calma enquanto a viste aproximar-se de ti, deixando o vermelho do quadro para trás. Viste-a pegar no teu copo, esquecido no chão, e beber o resto do vinho que deixaste. Quase todas as noites o mesmo cenário se repetia mas nunca lhe ousaste tocar ou falar. Por vezes, o olhar dela correspondia à busca incessante do teu. Nunca tentaste dar os passos que vos separavam e tocar-lhe, tinhas a certeza de que ela se iria desvanecer no ar ou que os teus dedos atravessariam o seu corpo. Querias mantê-la real para sempre, “olhar era suficiente”, repetiste, centenas de vezes para ti mesmo, noites e noites a fio.

O vestido vermelho, comprido e simples, largo demais para o corpo que cobria, tingiu o chão com aquela cor quente, enquanto ela se sentava com a cabeça encostada à janela. E, mais uma vez, limitaste-te a contempla-la. Confinado no teu canto, davas sempre por ti a admirar aquele rosto constantemente inexpressivo e sem brilho no olhar. Não chovia, a noite serena era desesperante como plano de fundo deste ciclo interminável.


Texto por: Snow White

Sunday, June 13, 2010

Talvez outra vez.


Talvez só me importe comigo mesma, talvez não queira mesmo saber de ti, nem do que pensas, do que sentes ou do que odeias e amas. Talvez tudo o que dizes sobre mim seja a mais pura das verdades, talvez seja essa a única verdade que alguma vez existiu entre nós.

Voltas-me as costas, dou comigo a ver-te a afastares-te de mim. Imagem que se repete vezes e vezes sem conta enquanto sonho com momentos que não aconteceram entre nós. Mas, como só penso em mim mesma, acordo todas as manhãs à mesma hora, tomo banho, visto-me, bebo um descafeinado e saio para enfrentar um mundo, que se distorce e desfoca cada vez mais a todos os momentos que passam. Começo a ficar convencida de que já não tenho saudades tuas, de que não desejo o teu toque e esqueço a tua voz simplesmente porque não a voltei mais a ouvir.

Vendedores de rua, com faces para as quais se olha sem realmente se ver, no meio da confusão de todos os outros rostos com que me cruzo nas ruas, tentam abordar-me, marcar-se no meu tempo de vida sem sequer se aperceberem disso. “Só penso em mim mesma”, o pensamento não pára de se repetir, por isso enfureço-me, não me façam esperar, não me façam perder tempo, tenho que viver, lembrar-me, esquecer-me, procurar-me e amar-me.

Tu e eu, tu que me voltaste as costas antes de eu pensar em voltar as minhas a ti sabes, sempre soubeste, tudo o que temos são conversas sem grandes significados e sexo. Mas tudo está bem, tem de estar, sempre soube que não sou uma pessoa profunda, “só penso em mim”. Quero viver livremente, não estar presa a nada nem a ninguém. "Sou o que sou", disse-te eu, depois daquela nossa primeira troca de beijos na boca.

As ruas são longas demais para serem percorridas todos os dias. Um dia acho que vou simplesmente parar. O destino ao qual tenho de chegar não pára de se tornar incerto, tão desfocado e distorcido, como tudo o resto que me rodeia. Porque é que tudo começa a fazer mais sentido agora disforme? Talvez tenha de saber o que são coisas horríveis para conseguir entender o que é belo. Tento sorrir enquanto me dirijo ao encontro de um dia igual a todos os outros, sem ti na minha vida, a quem eu não amei, pessoa que me voltou as costas.

E porque é que foi, neste dia igual a todos os outros, que as ruas se tornaram mais difíceis de percorrer? A distancia é a mesma, o corpo que as percorre é o mesmo, mas hoje, só hoje, estou cansada, talvez seja o peso do ar, ou talvez não seja isso, talvez não aguente mais é com o peso do meu próprio egoísmo na alma, que agora se decidiu revelar.

Tiro os óculos e olho para o céu, através de uma face repleta de gotas de suor, numa manhã amena. O céu. Não há lá nada mais a não ser o próprio ar, é esse o céu que nos espera. Maldito ar. Pensamentos agridem-me, perseguem-me. Parar a mente, encontrar-te a ti, minha antiga calma, meu antigo corpo, que costumava rodear num abraço enquanto dormia. Talvez deva chorar, ponderei, parece-me o mais acertado. Chorar, desidratar, sentir os lábios a ressequir.

Os olhares dos rostos disformes atormentam-me, e acabo por soluçar encostada a uma parede que não reconheço. Sei que estou a cair no grotesco, a misturar-me com a massa disforme que percepciono como sendo o nosso mundo.

Olhar para ti e não ver mais o teu rosto, não me lembrar mais da tua voz. O que foste tu afinal? Uma continuação de mim? Porque me pergunto agora sobre ti outra vez? Sempre tarde mais. Sorrio um sorriso cansado.

Ouço então algo. Algo familiar no meio de uma confusão de sons também disformes. “Não te atrevas a parar de respirar”, é o som da tua voz, áspera, fatigada e gasta, a inundar-me. Reconheci-te. Sei que me levantaste, sei que percorremos as mesmas ruas de volta. Mais uma vez, encontraste-me. Porque me amas, porque me amaste? Em que tempo verbal nos encontramos agora? Vejo as tuas costas a voltarem-se mais uma vez para mim, e, só aí, finalmente reparo, que elas são a única imagem nítida neste meu mundo disforme.


Texto por: Snow White
(Imagem por: James Jean)
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