As coisas já foram melhores e algumas vezes piores. Quando se está sozinho, realmente sozinho, por momentos atacam as vertigens. Depois segue-se o sacana do pânico e fica-se indefeso porque as realizações, mesmo as recorrentes, nunca se afundam fundo o suficiente. Andam à deriva na sopa de puzzles mentais. Aqueles que nunca se completam. Depois procuramos a todo o custo edificar laços, criar uma família atrás de uma outra que já falhou, com pessoas que na realidade não nos são nada. E aí dá-se tudo o que se tem, tudo de bom, e como se dá o bom estranha-se o mal dos outros, que está presente, ainda que em diferentes quantidades, em todos nós.
Por fim, quando se deu tudo o que se tinha de bom, fica-se com tudo o que se tinha de mau e é aí que a solidão, como uma doença oportunista, ataca novamente só que desta vez já se chega a nós com um sabor mais ressesso.